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Sírio mostra, em imagem postada de vídeo do YouTube, o que ele diz que era sua casa, destruída em bombardeio em Homs (YouTube / AFP)
Sírio mostra, em imagem postada de vídeo do YouTube, o que ele diz que era sua casa, destruída em bombardeio em Homs (YouTube / AFP)

Forças sírias lançaram nesta quinta-feira (9)  foguetes e morteiros contra redutos oposicionistas na cidade de Homs, disseram ativistas, enquanto as potências mundiais tentam superar suas divisões e encontrar uma saída para a crise na Síria.

As tropas do regime mataram pelo menos 29 pessoas nesta quinta-feira (8) em um bombardeio com foguetes e granadas de morteiro em vários bairros de Homs, cidade que é o centro da revolta contra o presidente Bashar al Assad, disseram ativistas e fontes da oposição. Há relatos, ainda não confirmados pela oposição, que indicam pelo menos 49 mortos.

Desde o último sábado (4), quando centenas de civis morreram em bombardeios, mais de 450 pessoas foram mortas, na investida mais pesada das forças do governo contra o levante iniciado em março, quando começou o levante contra o regime de Assad.

Ativistas disseram que os bombardeios se concentraram nos distritos de Baba Amro, Inshaat, Khalidiya, al-Bayyada e Jouret al-Shayyah.

Antes disso, o grupo opositor Observatório Sírio para os Direitos Humanos, com sede na Inglaterra, afirmara que 12 pessoas haviam sido mortas em Baba Amro e uma outra em Khalidiya.

A violência em Homs prossegue apesar de Assad ter prometido à Rússia que acabaria com o derramamento de sangue, depois de Moscou salvar no domingo a Síria de ser alvo de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU.

ONU condena "apavorante brutalidade"

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou a violência da ação governamental em Homs, epicentro de uma revolta contra o presidente Bashar al Assad que começou há quase um ano e se torna mais sangrenta a cada dia.

"Temo que a apavorante brutalidade que estamos testemunhando em Homs, com disparos de armas pesadas contra bairros civis, seja um sombrio prenúncio do que está por vir", disse Ban a jornalistas.

Ativistas e moradores relataram centenas de mortos na última semana em Homs, e, no alvorecer da quinta-feira, uma nova chuva de foguetes e morteiros caiu sobre Baba Amro, Khalidiya e outros bairros. Veículos blindados chegaram para reforçar as posições do governo no leste da cidade.

Há crescente preocupação com a situação dos civis, e os Estados Unidos disseram estar estudando formas de levar alimentos e remédios a eles - o que aprofundaria o envolvimento internacional em um conflito com amplas repercussões geopolíticas, e que divide as principais potências.

A Turquia, ex-aliada de Assad que agora deseja vê-lo pelas costas, disse que vai promover uma conferência internacional para discutir o envio de ajuda e possíveis soluções para a crise.

"Não basta ser um observador", disse à Reuters o chanceler turco Ahmet Davutoglu, antes de embarcar para Washington, onde discutiria a situação.

Mas Rússia e China, que no domingo vetaram uma resolução do Conselho de Segurança contra Assad, alertaram contra qualquer "interferência" estrangeira. Pequim, no entanto, informou ter recebido nos últimos quatro dias uma delegação da oposição síria, num inédito contato desse tipo.

A Liga Árabe também contribui para o isolamento do regime sírio, e seus ministros devem se reunir no domingo para discutir seus próximos passos - o que pode incluir a retomada da missão de monitoramento que foi suspensa no mês passado por causa da violência.

A ONU estima que mais de 5.000 pessoas, a maioria civis, tenham sido mortas em 11 meses de repressão aos protestos pró-democracia na Síria. Nos últimos meses, a situação se aproxima de uma guerra civil, com a entrada em cena de militares desertores e de outros insurgentes armados. O governo diz estar enfrentando "terroristas" patrocinados pelo exterior.

A Comissão de Coordenação da Revolução Síria disse que pelo menos mais 30 civis foram mortos na manhã de quinta-feira em bairros sunitas de Homs, principais focos dos ataques das forças governamentais, dominadas por membros da seita minoritária alauíta, à qual Assad pertence.

Um vídeo no YouTube mostrou a rua principal de Baba Amro cheia de detritos, e pelo menos uma casa destruída. Ativistas locais disseram que soldados usaram um canhão antiaéreo para demolir o imóvel.

O vídeo também mostra um jovem colocando em um caminhão dois cadáveres envoltos em cobertores. Dentro da casa, surgem o que parecem ser partes de corpos.

Ativistas disseram que vários bairros da cidade estão sem água e luz, e que há escassez de mantimentos.

É difícil confirmar os relatos feitos pela oposição síria, porque o governo expulsou do país a maioria dos correspondentes estrangeiros.

Um dia depois de se reunir com Assad em Damasco, o chanceler russo, Sergei Lavrov, disse que países com influência sobre a oposição síria devem pressioná-la a dialogar com Assad - declarações que deixam claro que Moscou não tem a intenção de abandonar seu tradicional aliado sírio.

Mas a oposição síria criticou Lavrov por não levar novas iniciativas a Damasco, e disse que não aceitará dialogar com Assad enquanto as forças do governo continuarem matando civis.

A resolução que a Rússia vetou, junto com a China, declarava apoio a uma proposta da Liga Árabe que, entre outros pontos, previa o afastamento de Assad do poder. A Rússia diz que só aceita uma versão anterior do plano, que não continha esse item.

Mas Walid al Bunni, dirigente do grupo de oposição Conselho Nacional Sírio (CNS), insistiu no afastamento de Assad como pré-condição para um diálogo nacional.

Um jornal turco ligado ao governo disse que a Turquia, outrora sólida aliada de Assad, pretende organizar uma conferência em Istambul para discutir a situação com governos árabes e ocidentais. A conferência seria parte de uma iniciativa turca mais ampla, a ser apresentada na quarta-feira.

 

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